Os 7 (sete) Mistérios da Maçonaria Adonhiramita

Tentar situar as origens históricas de um Rito Maçônico de forma documental é assunto de tão grande complexidade que entendo ser necessária uma vida de pesquisas bem-sucedidas, e mesmo assim, a probabilidade de êxito, pelas controvérsias que são geradas pelas “janelas” de olhar o antigamente com os olhos do presente, seria muito pequena.

Na verdade, a adoção dos Ritos pela Maçonaria reponta a épocas que se perdem no tempo e fogem aos registros históricos, que seriam os maiores testemunhos de suas origens.

Tentarei sintetizar essas origens, baseado, principalmente na obra Bibliotheca Maçônica, ou Instrução Completa do Franc-Maçon, editada em seis volumes por um Cav.·. Rosa-Cruz, as pesquisas da época revelaram ser o autor o Maçom Miguel Antonio dias.

Foram ainda pesquisados os autores Vassal, Preston, Dupontes e outros valorosos IIr.·. mais atuais, entre eles Francisco Sobreira Alencar, Grau 33 do Rito Adonhiramta em Sinopse Histórica aos Adonhiramitas, editado em Brasília-DF, em 1983.

Começaremos explicando os Mistérios encontrados nas diversas idades do mundo; alguns eram puramente religiosos, outros exprimiram costumes populares e outros, finalmente, abraçavam misticamente todos os conhecimentos morais e científicos.

São os emblemas desses últimos Mistérios que se acham semeados nos diversos graus da Maçonaria Adonhriamita e universal.

As conexões mais íntimas com esses Mistérios, numa ordem cronológica, são 7 (sete):

  1. Mistérios Persas ou dos Magos (anteriores a 10000 a.C.)
  2. Mistérios da Índia ou dos Brâmanes (por volta de 5000 a.C.)
  3. Mistérios Egípcios ou de Ísis (por volta de 2900 a.C.)
  4. Mistérios Gregos com Cabyres de Samotrácia (1950 a.C.) e Orfeu em Elêusis (em 1330 a.C.)
  5. Mistérios Judaicos de Salomão (em 1018) e do Cristianismo (em 33 d.C.)
  6. Mistérios Francos – da Cavalaria (em 800 d.C.) e Ordem do Templo (em 1118 d.C.)
  7. Mistérios Britânicos – corporação dos Arquitetos (em 287 d.C.) e Franco-Maçonaria, (em 1703 d.C.)

 

1º – Mistérios Persas ou dos Magos

Por muito tempo, diz Eusébio Salverte no seu livro Ciências Ocultas, a Magia, tida ao princípio como produto da divindade e até considerada pelos filósofos cristãos como uma ciência, que mostra sem reservas os produtos da natureza, governou o Mundo; mas, nos últimos anos (1840), uma multidão de charlatães fez profissão de alguns dos seus segredos par enganar os crédulos povos.

A magia primitiva não só perdeu o mérito como virou chacota para os homens dos séculos modernos.

Entretanto, estudando a história da magia, chega-se à origem das ciências humanas e da civilização.

Em uma palavra, os verdadeiros Magos eram ainda no século XVI da nossa era tão afamados que o grande Camões, no canto º, de Os Lusíadas, faz deles “Regedor de Malabar”.

2º – Mistérios Brâmanes

Quanto aos Mistérios Brâmanes, ouvimos Voltaire no seu Dicionário Filosófico e Ensaios sobre os Costumes, capítulo 1.6, afirmar: “O Schasta ou Veda, primeiro livro da Índia escrito, faz hoje 4.939 anos (1833), e parece ter sido o seu verdadeiro ritual”.

Os mistérios Brâmanes consistiam na iniciação dos padres, sendo ao principio meritória e eletiva; tornou-se depois casta privilegiada.

Sua doutrina era Teogônica e suas experiências físicas, segundo o Dr. Vassal, no seu “Curso Completo de Maçonaria”, aproximavam-se das Maçonarias.

Os Brâmanes, sendo os únicos literatos da Índia, tiveram também o conhecimento da Iniciação primitiva dos Magos, porque antes eram exclusivamente religiosos.

Fizeram gravar no frontispício do Templo da Natureza a seguinte instrução: “Fui, sou e serei e nenhum mortal descobrirá”.

São sem dúvida, estes últimos os Brâmanes que Voltaire diz terem sido os primeiros teólogos, os primeiros filósofos e os primeiros legisladores.

3º – Mistérios Egípcios

Encontramos os padres do Egito sendo iniciados nos Mistérios Brâmancs.

A iniciação dos egípcios, conhecida pelo nome de Mistério de Ísis e Osíris, remonta, segundo Vassal, a 2900 antes da Era Vulgar.

Sua doutrina tinha por fim, de um lado, Egípicio ou a Metempsicose e, do outro, os conhecimentos humanos.

Era dividida em pequenos e grandes Mistérios. Os primeiros, religiosos e públicos, e os seguidos, científicos e privados.

É verdade que os Padres do Egito, a exemplo de seus superiores, cuidaram de não esclarecer o povo, reservando as luzes para um pequeno número de adeptos escolhidos.

Eles pensavam que a sociedade seria melhor governada se os conhecimentos fossem confiados somente aos corações generosos e puros.

Muitos séculos depois, Pitágoras foi à Índia estudar os Mistérios Brâmanes e as luzes que trouxe para a Grécia diferem da Iniciação de Mênphis e da Samotrácia.

Foi nos Mistérios Egípcios que os Reis legisladores, os Sábios e os Grandes do Egito adquiriram os profundos conhecimentos.

Diz Guerim-Dumast: “Felizes os povos em que o herdeiro do trono, isolado das lisonjas da corte, acha por mestres um AMÉDES ou um FENELON eu o instrua a respeito dos deveres de um rei”.

4º – Mistérios Gregos

A Grécia prece ter sido o Templo comum de todos os Mistérios da Antiguidade; entretanto, os que mais relações tem com a Ordem Maçônica são:

A – Os Mistérios dos Cabyres de Samotrácia

Foi, segundo Vassal, em 1950 antes da E.·. V.·. que os Mistérios Egípcios passaram à Grécia, estabelecendo-se na ilha de Samotrácia, hoje Samandraki.

Nesses Mistérios havia oito deuses Cabyres, quatro dos quais eram: Oxieres, Axiokersa, Axiokersos e Casmilos; os Mistérios dos Cabyres, diz A. Boileau, foram levados à FrÍgia por Darnanus e passaram depois à Itália e confiados as Vestaes.

O Ir.·. Vassal pensa que os Pelágios, que instituíram esses Mistérios, não tinham sido iniciados senão nos pequenos Mistérios Egípicios, pois que a principal ciência da Samotrácia fora a “estratégia”, e entre os atenienses os oficiais militares se chamavam “estratégios”.

Somos obrigados a confessar, seguindo a opinião de alguns autores, que os Mistérios da Samotrácia foram na realidade uma escola militar e científica de onde saíram os maiores capitães.

B – Os Mistérios de Ceres ou Elêusis

Esses Mistérios, segundo alguns autores, foram estabelecidos por Triptolemo e, para outros, por Erecto – primeiro rei de Atenas, em 1373 a.C.

Foram também divididos em pequenos e grandes, e seus iniciados se chamavam Eumolpides porque essa família Eumopolo conservou durante 1.200 anos a dignidade de Hierofante.

Dr. Vassal, assim como Buret Longchamps, é de opinião que a ciência dos Mistérios de Ceres reduzia-se mais à Mitologia, o que fez nomes como Pitágoras, Platão, Tales e Minos procurarem conhecimentos nos Mistérios de Mêmphis e de Hiliópolis.

C – Os Mistérios de Orfeu

Orfeu, príncipe dos Siciônios em Trancia, depois de ter adquirido os conhecimentos científicos do Colégio de Mênfis foi para a Grécia e, em 1330 a.C., regularizou os Mistérios de Elêusis, destruiu os erros dos mistérios de Ceres e estabeleceu sobre bases menos supersticiosas as mesmas festas, fazendo-as verter em favor do espírito nacional e da segurança do Estado.

Dividiu os Mistérios em dois graus; no primeiro se desenvolvia a Teogonia egípcia, com seus emblemas e a moral e, no segundo, que era puramente científico, desenvolveu não só o sistema físico da natureza, mas também todos os conhecimentos.

Orfeu deu à primeira doutrina o nome de Exotérica (pública) e, à segunda, o de Esotérica (particular aos iniciados).

Mas antes de deixar a Grécia, citaremos Pitágoras, natural da ilha de Samos e nascido em fins do século VI a.C.

Depois de ter sido iniciado nos Mistérios Gregos, Brâmanes e Egípicios e de ter conhecido Sólon Pittacus, Zoroastro e outros, deixou a Grécia por questões politicas e foi para a Cretona.

Lá, fundou a Escola Italiana com três graus; após uma escrupulosa escolha de seus discípulos, estes passavam três anos no primeiro grau.

Antes da admissão, o neófito deveria pôr todos os seus bens na mão do tesoureiro.

Se nesses três anos de experiência correspondesse aos desejos do Mestre, o discipulo passava ao segundo grau.

Nesse grau, durante cinco anos o neófito era condenado a um profundo silêncio, e a voz de Pitágoras chegava aos seus ouvidos através do véu que ocultava a entrada do Santuário.

Finalmente, o discípulo era admitido ao perfeito conhecimento da doutrina sagrada e trabalhava com o Mestre para a instrução dos novos iniciados. Escrevem Jamblique e Barthelemy: “Os filhos dessa grande família, espalhados por muitos climas, e sem nunca se terem visto, reconheciam-se por certos sinais e tratavam-se como sempre se tivessem conhecido”.

5º – Mistérios Judaicos

Alguns israelitas, tendo habitado o Egito e voltado depois à Judéia, fundaram, em 1550 a.C., as três seitas: Ciniana, Recabites e Essência.

De todas elas, a Essência, que também foi fonte do Cristianismo é a que mais relação tem com a iniciação.

Nos mistérios Essênicos não era facilmente concedida a iniciação.

O candidato era experimentado por três anos, após fazer, antes de ingressar, uma relação de todos os seus bens ao tesoureiro, que ficava depositário, fazendo o juramento de servir a Deus, amar e proteger os homens bons e finalmente guardar os segredos da Ordem com perigo de vida.

Os símbolos, as parábolas e as alegorias eram para eles de uso familiar.

Dr. Vassal afirma que os Mistérios precederam por quatro séculos os Mistérios de Salomão, que, tendo passado por fundador, não o foi realmente, e sim seu restaurador.

Salomão tendo sido iniciado nos Mistérios de Elêusis, fundados por Orfeu, no século XI a.C. reorganizou em Jerusalém os Novos Mistérios Essênios. A Bíblia e a história nos ensinam que Davi, fatigado de lutar contra as conspirações tramadas entre seus filhos Absalão e Adonisa e o General Achitopel, fizera ungir seu filho Salomão e proclamara rei de Jerusalém.

Salomão, instado por Davi e assustado com o progresso do Politeísmo, tentou restabelecer a Teogonia dos primeiros hebreus, que era a mesma dos antigos Magos e que, em 1600 a.C., Moisés tinha exposto no seu Decálogo.

Salomão mandou construir o Templo material de Jerusalém, fazendo tratados com Hiram II, rei de Tiro, e Adon-hiram, mestre de obras (arquiteto) segundo a Bíblia de Jerusalém – I Reis – V.28; Bíbilia de referências Thompson I Reis V.14; Bíblia Sagrada, traduzida por João Ferreira – I Reis V.14. Fundou um Templo Alegórico para a iniciação dos Mestres, tomando por modelo a construção do primeiro (conhecido como Artífice ou Arquitetos Dionisianos), o qual mais tarde tomou o nome místico de Maçonaria.

A iniciação de Salomão teve por objetivo um tríplice fim: a Tolerância, a Filantropia e a Civilização dos Israelitas.

O templo físico foi destruído por Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 604 a.C., levando em cativeiro grande número de iniciados, entre os quais Jechonias, pai de Zoroabel, que mais tarde, em 538 a.C., foi libertado por Ciro, sucessor de Nabucodonosor, volta a Jerusalém em 536 a.C. e lança os alicerces do Templo.

Sua construção durou 20 anos; após a reconstrução, um cisma religioso se declarou entre as Tribos e produziu sua separação, ficando em Jerusalém as de Judá e Benjamin; as outras dez foram para Samaria.

No ano de 70 d.C., Titus, o Vespasiano, saqueou Jerusalém e queimou o Templo, aniquilando a Judéia.

Entretanto, a Ordem dos Arquitetos e Iniciados Essênios continuou a transmitir os seus Mistérios. As novas insígnias construtoras fizeram cair em desuso as da iniciação primitiva e entre os séculos VI e X surgiu a Maçonaria Operativa.

Mistérios do Cristianismo – Jesus escalando o mais alto conhecimento dos Mistérios Essênios e querendo acabar com o abuso sacerdotal e com as castas privilegiadas – substituíram os Mistérios dos antigos Essênios.

No ano 30 da E.V., formou seu apostolado e foi morto em 33 d.C.. Cristo tinha posto em prática três virtudes teologais: Amor ao Próximo, chamando a todos de Irmãos; Aplicação  do trabalho e ciência, fazendo ter Esperança noutra vida melhor e mútua entre os homens.

Até o ano 45 da E.V., sua iniciação foi secreta e passou a Roma tendo sido nos dois séculos seguintes notável pela rápida propagação e pelas perseguições que sofreu.

Em 312, Constantino, o Grande, tendo sido repelido dos Mistérios Mênfis por seus crimes, como em242 tinha repelido Nero, foi a Roma e abraçou o Cristianismo católico.

Desse marco o Cristianismo, de exotérico que era, foi transformado pelo Sacerdócio em esotérico, ou secreto, iniciando o despotismo e a perseguição a toda a sorte das outras iniciações.

De Constantino até as Cruzadas seguiram os séculos da barbárie e daquela época os Cenobitas (templários) nos transmitiram fielmente o depósito das ciências místicas.

6º – Mistérios Francos

A – Os Druidas

Padres dos antigos Celtas ou Galos habitavam os bosques glaciais do Norte.

Eram divididos em três classes com um chefe comum: os Vacies, depositários dos dogmas e filosofia, exerciam a função de padres e juízes. Os Bardos cantavam hinos; os Eubages faziam prognósticos com as entranhas das vítimas. Os druidas, perseguidos pelos romanos, refugiam-se em Albion.

B – Cavalaria

A Ordem dos Cavaleiros surge no VIII século da E. V., fazendo-se campeões da humanidade; a divisa dessa nobre Cavalaria era Socorro à Desgraça e o cerimonial de suas recepções, pura iniciação dos Mistérios de Elêusis.

A Águia-Negra, Águia de duas cabeças e o Fênix, que se acham na Cavalaria são emblemas Maçônicos e próprios do Magismo Oriental.

C – Ordem do Templo

Todos conhecem a história trágica dessa Ordem militar e monástica.

Em 1118, Hugues de Paganis, Geofroy de Saint-Aumer e mais sete cavaleiros fundaram essa Ordem que o concílio de Troyes aprovou em 1128.

Consagravam-se à pratica das virtudes cristãs e militares e, principalmente, a defender contra os ataques muçulmanos os peregrinos que iam a Jerusalém para adorar os lugares santos.

Exterminado pelo Papa Clemente V e Felipe, o Belo, Jacques de Molay, seu 13º Grão-Mestre, foi queimado na fogueira, em 1312.

A maior parte dos seus membros foram espalhados nas ordens maçônicas ou formaram outras ordens, como a de Sagres, Avis e de Malta.

7º – Mistérios Britânicos

Os druidas e os padres de Herta, havendo tido nos primeiros séculos do Cristianismo comunicações íntimas com os povos da antiga Albiori, puderam semear a Iniciação nas Ilhas Britânicas.

Já em 287, Cauracius, reconhecido imperador, animou as artes e promoveu particularmente a Instituição dos Construtores.

Mas foi principalmente desde 800 até 900, durante os reinados de Alfredo, o Grande, de Eduardo e de Atlestan, que a Corporação Maçônica tomou formas regulares.

O príncipe Edwin foi eleito Grão-Mestre dessa corporação em 925 ou 926.

Essa singular Corporação de Arquitetos se dividia em reuniões parciais que se chamavam Lojas e todas eram dependentes de uma espécie de Dieta, que teve local em York.

O objetivo dessa associação era a construção em comum de edifícios públicos, catedrais, castelos e monastérios.

Em 1511, o Marquês Pebroke foi eleito Grão-Mestre e foi com desse patrono que edificaram a Abadia de Kilwinning. Mas foi só em 1313, época da destruição dos Templários, que Roberto I, rei da Escócia, fundou a Gr.·. Loja de Heredon de Kilwinning.

Nos reinados de Henrique VI e VII, a corporação Maçônica sofreu duros golpes (1495-1501), e teria sucumbido inteiramente, se não se declarassem seus protetores o Gr.·. Mestre da ordem e seus cavaleiros.

Em 1562, a rainha Isabel quis também perseguir a Ordem, mas em compensação, Jacques I, Carlos I, Guilherme V e outros deram uma proteção generosa.

Cem anos depois, o Jornal de Elias Ashmole faz a seguinte exposição: “Que, desde 1641, a Corporação Maçônica agregou a si, como membros externos, as pessoas estranhas à arte de construir, das quais ela espera tirar alguma utilidade ou realce,  e a quem ela deu o título de Maçons livres e aceitos (FREE ACCEPTED MASONS) para distinguir dos Maç.·. de prática”.

Depois dessa época, a Corporação Maçônica se conservou por muitos tempos brilhantes, mas à medida que a instrução se espalhou e que o individualismo prevaleceu ao espírito da associação, a Ordem foi declinando a tal ponto que, no inicio do século XVII, muitas pouco Lojas havia nos condados, e em Londres mesmo não havia senão quatro, das quais a mais singular era a L.C.G.G. ou a L.·. Antiguidade, que construiu a Igreja de São Paulo.

Mas, fosse com vistas a perpetuar os Mistérios Maçônicos na ocasião próxima de se perderem, fosse por uma feliz inspiração, a Loja Antiguidade tomou, em 1703, uma decisão que produziu os mais importantes resultados.

Segundo Preston (Mestre Venerável da mesma Loja Antiguidade) a “Declaração de Miguel Antonio Dias, em 1840”, foi ignorada por quase todos os Maçons dos dois mundos, a Loja Antiguidade ordenou que: “D’hoje em diante os privilégios da Maç.·. não ‘serão’ mais a repartição exclusiva dos Mc.·. Construtores, e que os homens de todas as profissões ‘seriam’ chamados a gozar d’ella, contando que tivessem sido regularmente aprovados e iniciado na Ord.·.”.

Essa sábia deliberação, que constituiu uma verdadeira reforma na Maç.·., fez entrar na Ordem pessoas da mais alta distinção e particularmente literatos e sábios que, tornados zelosos partidários, vieram a ser os propagadores da Ordem.

Feito esse primeiro passo, a Loja Cervejaria do Ganso e da Grelha ou Loja Antiguidade procede às outras invocações não menos interessantes; ela renunciou totalmente ao objetivo material na Antiga Confraria, a construção, e modificou todas as suas formas e cerimônias para seu uso interno. Tal foi a origem do Rito moderno Inglês.

Surgiu então, em 1717, a Grande Loja da Inglaterra, pela reunião das quatro Lojas, sendo uma delas a da Cervejaria do Ganso e da Grelha ou Loja Antiguidade, como depois ficou sendo chamada.

Com isso, Lojas que trabalhavam na Tradição protestaram contra as invocações e surgiu outra Potência na Inglaterra, a dos antigos, que culminou, em 1813, com a unificação, formando a Grande Loja Unida da Inglaterra.

Essas diferenças no modo de trabalhar geraram as denominações dos ritos, quando os Maçons, ao se reportarem à sua forma ritualística de operar, citavam a Loja de quem copiavam.

Vamos encontrar assim, em Paris, o Rito de Heredon de Kilwining, em que trabalhavam o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente.

Tal entidade Maçônica era um Capítulo Filosófico que reunia as mais expressivas personagens da nobreza da época.

Entre essas se destacaram, por sua influência no Capítulo, o Conde de Ramsay, Barão Louis Theodoro Tschoudy e Louis Guillermean de San Victor.

Tomando as informações de Nicola Aslan, Joaquim Gervásio de Figueiredo e outros afirmam que foi durante a Idade Média que mais se desenvolveram os principais Ritos Maçônicos.

Em 1758, como fruto de estudos sobre os Ritos de Heredon e Kilwinning de Clermont e outros, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente decidiu promover a Grande Reforma ritualítisca, principalmente no que dizia respeito ao Rito de Heredon.

Dessa forma, originaram-se vários Ritos, no mesm ano da reforma e nos que a ela se seguiram.

Assim, em 1758, surgiu o Rito Escocês Primitivo ou Rito de Heredonou de Perfeição, com 25 graus, que, em 1786, forneceu as bases definitivas do atual Rito Escocês Antigo e Aceito e ensejou o nascimento do Rito moderno ou Francês de sete graus e, em 1769, o Rito Escocês Primitivo de Namur, com 33 graus.

Ainda em 1758, como decorrência direta da reforma do Rito de Heredon, nasceu o Rito Adonhiramita, também conhecido como Maçonaria Adonhiramita.

O Barão de Tschoudy, com a experiência adquirida no Capitulo dos Cavaleiros do Oriente, para o qual escrevera Rituais de Iniciação e Catecismos de Instrução, preparou-se para empreender sua obra maior.

Fecundo e incansável, baseando-se na tradição e na excepcional cultura que acumulara, forneceu o material para compilação de Louis Guillermain de San Victor, intitulado Recueil Prècieux de La Maçonnerie Adonhiramite, cuja consequência foi o florescimento de inúmeras Lojas, na Europa e no Oriente próximo, chegando o Rito Adonhiramita a ser o mais difundido de todos, como se vê em Thori, na sua História do Grande Oriente da França.

Fiel à tradição, Tschoudy compôs os três graus simbólicos, tais como eram e ainda são universalmente professados, em todos os Rito, devolvendo-lhes, contudo, a sua simplicidade.

A lenda do Terceiro Grau é fielmente respeitada. E o nome da personagem central, chamado por alguns Adonhiram e por outros de Hiram, estabelece nossa Maçonaria ou Rito.

A forma Adonhiram é, contudo, a mais antiga; a lenda é originária do Talmud e surge no Grau 4 do Rito Escocês.

Adon, que em hebraico quer dizer apenas Senhor, no Caudeu-Hebraico é o antigo nome dos Elhoim ou “forças criadoras terrestres” sintetizados em Jeová.

E no que diz respeito aos altos graus, o Barão de Tschoudy conseguiu realizar um perfeito curso de ensino maçônico nos ritos e sistemas conhecidos em seu tempo.

Tschoudy, erudito, talentoso, sábio e prudente, respeitou a tradição e sintetizou os conhecimentos anteriores na Doutrina e a Ritualística dos Graus 4,5,6,7,89,10,12 e 13 do Rito Adonhiramita, e estão conformes com a Ritualística e Doutrina dos Graus 5,9,10,12,13,14,15, 18 e 20 do Rito de Heredon ou de Perfeição, e, portanto, com os Graus Escoceses oriundos desses últimos.

            Na compilação de L. Guillermain de San Victor, conhecida como Coleção Preciosa, a obra aparece sem duas partes: a primeira abrangente aos graus simbólicos e a segunda dedicada aos graus de perfeição.

            Esse Rito é histórico, característico e essencialmente metafísico, esotérico e místico, tornando-se exotérico quando exerce o magistrado da sua liturgia.

Tem por bases teológicas as verdades bíblicas reveladas no Antigo e no Novo Testamento, particularmente, no que concerne à Construção do Templo de Salomão e às origens do Cristianismo com relação ao período das Cruzadas.

            Sua denominação deriva do personagem central da Construção do Templo de Salomão, Adonhiram, também insistentemente proclamado no Ritual de Instalação de Mestres.

            Consagra e pratica intransigentemente os princípios da Constituição de Anderson e os Landmarks da Maçonaria Universal, e assenta uma ética de comportamento para seus obreiros na prática da nobreza de atitudes que a tradição nos transmitiu com a influência dos Cavaleiros Medievais.

            Propugna pelo engrandecimento moral da Humanidade com o objetivo de conduzir os homens a uma harmonia de vida justiça e perfeita sobre a terra e dessa forma contribuir para que alcancem a suprema felicidade celeste ao passarem para o Oriente Eterno.

            Inicialmente, a Maçonaria Adonhiramita abrangia 12 graus, sendo três simbólicos, (1) Aprendiz – (2) Companheiro – (3) Mestre, e 9 filosóficos:

  1. Mestre Perfeito
  2. Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove.
  3. Segundo Eleito ou Eleito de Perpignam.
  4. Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze.
  5. Aprendiz Escocês ou Pequeno Arquiteto.
  6. Companheiro Escocês ou Grande Arquiteto.
  7. Mestre Escocês.
  8. Cavaleiro da Espada, do Oriente ou da Águia e
  9. Cavaleiro Rosa-Cruz

Posteriormente, com a publicação do Cavaleiro Noaquita, foi introduzido o grau 13.

Autor: José Martins Jurado.