Excelência moral

Em outra peça havia falado sobre os princípios de moral e ética, introduzindo a filosofia de Aristóteles e Platão com base na interpretação das analogias simbólicas do primeiro Grau para tornar a Ped.·. Bruta em Ped.·. Cub.·.

Agora, gostaria de aprofundar o assunto, tratando neste ponto de vista a interpretação do “Lev.·. TTemp.·. à Virt.·. e Cav.·. MMasm.·. ao Vic.·.”

Ética a Nicômaco

O ponto central da obra de Aristóteles está em “Ética a Nicômaco”, um conjunto de livros que contém sua concepção sobre virtude, falando sobre o papel do hábito e da prudência na ética, abordando os chamados vícios que tanto combatemos. Pressupõe-se que o conteúdo dessa obra advenha de anotações do seu filho e também discípulo, que morreu em combate precocemente, logo após sua morte, outros discípulos de Aristóteles acabaram compilando seus escritos.

Já no início da obra, Aristóteles aparece discutindo as idéias do seu mestre Platão. E, muito embora vá diferir dele em muitos pontos, ele consegue fazer algo extraordinário, que é passar do idealismo para o realismo, transportando o pensamento do campo das idéias para o campo prático. Em questão de objetivo, tanto para Aristóteles quanto para Platão, a ideia fundamental é sempre o bem supremo, e esse bem supremo é ainda sempre a felicidade.

No segundo livro da série, há um trecho que expressa, de maneira exímia, o intuito, o propósito, o objeto e o sujeito do estudo da ética: Estou falando da excelência moral, pois é esta que se relaciona com as emoções e ações, e nestas há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade, e, de um modo geral, prazer e sofrimento, demais ou muito pouco, e, em ambos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. Ora, a excelência moral se relaciona com as emoções e as ações, nas quais o excesso é uma forma de erro, tanto quanto a falta, enquanto o meio termo é louvado como um acerto; ser louvado e estar certo são características da excelência moral. A excelência moral, portanto, é algo como equidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo. Ademais é possível errar de várias maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira (também por esta razão é fácil errar e difícil acertar, é fácil errar o alvo, e difícil acertar nele); também é por isto que o excesso e a falta são características da deficiência moral, e o meio termo é uma característica da excelência moral, pois a bondade é uma só, mas a maldade é múltipla.

Aristóteles aprimora os ensinamentos de Platão (Em “A República”) e elabora sua teoria ética a partir das estruturas morais vigentes na comunidade grega do século V a.C. De um modo geral, pode-se dizer que a sua teoria apresenta o procedimento do homem prudente como um valor, cuja opinião dos homens mais velhos, a experiência da vida e os costumes da cidade são condições objetivas para se filosofar politicamente. Diferentemente de Platão, Aristóteles humanizou o fim último, ou seja, o fim último foi afirmado no plano terreno. Por isso, o ético em Aristóteles é entendido a partir do ethos (do costume), da maneira concreta de viver vigente na sociedade.

No âmbito maçônico, nossos rituais nos proporcionam esse conhecimento de forma simbólica; E ai entra a diferença entre maçonaria e filosofia acadêmica propriamente dita, pois uma oferece o conhecimento através do simbolismo, do místico, do holístico, do acompanhamento permanente, e outra, tão somente através do ensino tradicional, embora ambas neste quesito deveriam levar ao conhecimento através do exercício do pensamento.

O termo maçônico “Lev.·. TTemp.·. à Virt.·. e Cav.·. MMasm.·. ao Vic.·.”, na visão deste, reflete claramente os conceitos da ética aristotélica, defendidas nessa obra. Quando os RRit.·. maçônicos tratam do combate à ignorância, a intolerância, os preconceitos e o fanatismo, trata-se de vícios opostos das virtudes chamadas por Aristóteles de “virtudes intelectuais” que seriam superiores às “virtudes morais”, pois são adquiridas pelo ensino e baseadas na razão. Da mesma forma, o termo “Venc.·. minhas PPaix.·.” refere-se ao raciocínio de Aristóteles de que mesmo uma virtude moral, se refém das PPaix.·., tende à deficiência ou ao excesso, tornando-se assim um vício.

Como falado na peça anterior, há de desenvolver-se uma percepção moral; A capacidade de distinção daquilo que o ser percebeu ou se é uma construção mental criada por ele mesmo – Oriunda da sua cultura, dos próprios medos, desejos, anseios, etc.  Pois somente chegando a esse “plano superior de percepção” é que conseguiremos distinguir nossas próprias ações cotidianas, assim como a dos outros, pois as regras são poucas e mutáveis, já as situações são inúmeras e diferentes em grau de complexidade.

Logo, a diferença entre o trabalho anterior e esse, se dá pela racionalidade, pela prática da aplicação do prumo e do nível a todas características e ações do ser humano, como a ele próprio e a sociedade no qual convive. Colocando sobre o mesmo plano co nível e medindo horizontalmente através do prumo se consegue chegar a métrica de cada característica, por exemplo, a coragem entre a covardia e a imprudência, a temperância entre a licenciosidade e a rigidez, a diligência entre a compulsão laboral e a preguiça, e assim por diante.

 

 

A evolução, segundo essa linha de pensamento, se dará a partir do caminhar nesta linha tênue entre um e outro extremo.

 

Observação: Há de estudar-se em paralelo a isso, a atitude daqueles que se lançam em um plano ainda maior, fazendo contraponto a determinado vício no âmbito de sociedade, por exemplo, onde todos vivem em constante corrupção, ser uma pessoa estritamente legalista. Isso seria um estudo muito favoroso.

Outra grande equalidade entre a academia filosófica grega e a maçônaria está na adoção das Sete Artes Liberais, por exemplo, o próprio Aristóteles aprofundou seus conhecimento sobre Geometria, Dialética (endógena), Aritimética e Retórica na academia de Platão. Já no Liceu, sua própria escola, desenvolveu ainda diversos estudos sobre Música, Astronomia, Retórica e Gramática, formando assim o que ficou conhecido na idade média como as “Sete Artes Liberais”. Na idade moderna essas sete artes liberais eram tidas como disciplinas básicas para a formação do homem livre, conceito também adotado por nossa Subl.·. Ord.·..

Para encerrar, deixo aqui uma frase de Oswald Wirth, famoso escritor e pensador maçônico: “..Eis-me defronte de símbolos cujo significado devo descobrir..”, que todos AAmad.·. IIrm.·. busquem dentro de si a vontade e a coragem para embarcar também nesse constante estudo sobre a humanidade sobrepujando a si mesmos dia pós dia.

Que assim seja.

Trabalho do Amad.·. Irm.·. Nataniel Kegles (2017)