Resumo Histórico da Maçonaria Adonhiramita

(Origem do título Adonhiramita)
 
Os discípulos da Maçonaria Adonhiramita adotaram Adonhiram como a personalidade central da construção do Templo de Salomão. O nome Adonhiram resulta da união dos dois vocábulos hebraicos Adon mais Hiram, cujo significado é mestre exaltado.
 
Todavia, ao unir as palavras Adon e Hiram os formuladores da Maçonaria Adonhiramita deixaram de eliminar o “h” de Hiram, conforme se procede no idioma hebraico. Desta forma, o nome correto desse personagem seria Adoniram e não Adonhiram. Alguns ritualistas supõem que o próprio Salomão já teria adicionado o prefixo Adon ao nome de Hiram, conferindo-lhe o título honorífico que o certificava como o mestre exaltado.
 
Adoniram é um personagem que figura nas Escrituras Sagradas, conforme Samuel II (XX, 24). Ali, seu nome aparece sob a forma abreviada Adoram. Nesse mesmo livro, afirma-se que ele era o responsável pelos que estavam sujeitos aos trabalhos forçados. Segundo Reis I (IV, 6), sete anos depois ele ainda exercia o mesmo cargo na casa de Salomão. Tudo indica que Adoniram, o filho da Abda foi cobrador dos tributos do Reinado de Salomão, bem como do seu sucessor e filho Roboão.
 
Quarenta e sete anos depois de mencionado em Samuel II (XX, 24), Adoram ou Hadorão foi apedrejado até a morte no exercício do ofício, por contribuintes indignados com as formas opressivas de arrecadação, conforme figura em Reis I (XII, 18) e em Chronicles II (X, 18).
 
Os estudiosos não identificam com clareza se o coletor de imposto de David, de Solomon e de Roboão era a mesma pessoa. Não obstante, Kitto afirma que “parece muito pouco provável que duas pessoas de mesmo nome tenham exercido, sucessivamente o mesmo cargo, numa época em que não se registra nenhum exemplo do nome do pai sendo dado ao filho”.
 
Com base numa única passagem constante em Reis I (V, 14), os idealizadores da Maçonaria Adonhiramita deduziram que Adoniram foi o arquiteto do Templo de Salomão. Todavia, naquele livro, consta que Salomão recrutou trinta mil servos entre os israelitas, os quais se ocuparam do corte de madeira no Monte Líbano, sob a superintendência de Adoniram.
 
Já os Maçons Hiramites atribuem a superintendência do Templo de Salomão a Hiram Abiff. A teoria geral concluiu que o arquitecto do Templo foi mesmo Hiram Abiff, filho da viúva duma tribo de Naftali que, como um habilidoso artífice nos trabalhos com os metais, tinha sido enviado para o Rei Salomão por Hiram, Rei de Tiro.
 
Desde que começaram e ilustraram a lenda Maçônica, os Judeus sustentam esta mesma tese. Até o presente momento, esta ainda é a teoria mais aceita pela maioria dos maçons que estudam o assunto. Porém, quando a teoria foi reformulada no continente Europeu, tal não foi o caso.
 
De qualquer forma, a maioria dos estudiosos da matéria concorda que o arquiteto do templo foi Hiram, filho da viúva, o qual é descrito no primeiro livro dos Reis (VII – 13 e 14) e no segundo livro das crônicas (II – 13 e 14). Nesses livros, o habilidoso artífice Hiram é descrito como sendo enviado a Salomão pelo Rei de Tiro.
 
Supõe-se que alguns o chamavam por Hiram Abiff. Enquanto outros admitiam que seu nome original fosse apenas Hiram, mas que em consequência da sua habilidade na construção do templo, recebeu o afixo honroso de Adon. Daí seu nome tornou-se Adoniram. No entanto, no templo em foco houve outro Adoniram.
 
Segundo Albert Mackey, os ritualistas franceses, pouco versados em Hebraico e em História Bíblica, teriam confundido os personagens Hiram, que tinha sido enviado da corte do Rei de Tiro, com Adoniram, um oficial na corte do Rei Salomão.
 
Este erro culminou em outro, quando foi adicionado o prefixo Adon, como título, ao nome de Hiram Abiff, Senhor ou Mestre, transformando-lhe em Adon Hiram, ou Senhor Hiram, o que resultou na confusão entre os nomes de Adoniram e do Senhor Hiram. O buchicho continua ativo. Porém, não há dúvida de que o título da Maçonaria Adonhiramita abrolhou desta controvérsia, conforme veremos no próximo seguimento.
 
Nascimento da Maçonaria Adonhiramita.
 
Em 1744, provavelmente visando uma melhor sintonia entrre o Poderoso Clero de então e à Maçonaria, um paroco de nome Louis Travenol, sob o pseudônimo de Leonard Gabanon, teria publicado em Paris o Catéchisme des Francs Maçons, ou Le Secret des Maçons, cujo destaque transcrevo no parágrafo seguinte.
 
“… Hiram concedeu um presente muito mais valioso a Salomão, na pessoa do Adonhiram, de sua própria raça, filho de uma viúva da tribo de Naftali, cujo pai, conhecido como Hur, foi um excelente arquiteto e trabalhador em metais. Salomão, reconhecendo suas virtudes, seu mérito e seus talentos, distinguiu-lhe com a mais eminente posição, confiando-lhe a construção do templo e a Superintendência de todos os operários” (Louis G. de Saint Victor: Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite).
 
Do teor deste extrato germinou um dos nomes do cobrador de impostos de Salomão. Parece evidente que Louis Travenol, considerado por alguns como autor de Le Catéchisme des francs Maçons ou Le Secret des Maçons, teria confundido Adoniram, o filho da Abda, que sempre vivera em Jerusalém, com Hiram Abiff, que fora enviado de Tiro a Salomão, para trabalho em metais.
 
Para Albert Makey, Louis Travenol errou por uma imperdoável ignorância da história das Escrituras e da tradição maçônica. Não obstante, como pároco, é possível que ele tenha cometido tal deslize visando mostrar ao Poderoso Clero Católico que os preceitos maçônicos são frutos de uma orientação Divina que, também, figuram na Bíblia Sagrada. Desta forma, ele pode ter percebido que, uma discórdia entre a Igreja e a Maçonaria não produziria bons frutos religiosos e sociais.
 
Numa época em que um Papa dito incontestável acabara de condenar a Maçonaria, o trabalho de Louis Travenol, Le Secret des Maçons (o Segredo dos Maçons), tornou-se popular perante muitos maçons e estudiosos daquela época, acirrando a controvérsia em relação à lenda do terceiro grau.
 
Tantas foram as divergentes convicções que na obra Salomão Em Toda Sua Glória, tradução similar de uma publicação em francês, Adoniram toma o lugar de Hiram. Todavia, os maçons ingleses teriam adotado e compartilhado este ponto de vista.
 
Referindo-se a Adoniram como aquele colocado no comando dos operários que prepararam o material no Monte Líbano, Flávio Josefo fala de Hiram, filho da viúva, simplesmente como um artesão habilidoso em metais, o qual teria feito todas as obras mecânicas daquele Templo de acordo com a vontade de Salomão.
 
Este indicador de veracidade foi reivindicado pelos Adonhiramites e conferiu a um dos seus mais proeminentes ritualists, Guillemain de Saint Victor, ânimo para sustentar a sua tese na obra Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite, na forma contida no parágrafo infracitado.
 
Todos nós concordamos que o grau de mestre é focalizado sobre o arquiteto do Templo. Todavia, a Escritura afirma muito positivamente, em Reis II (V –14), que a pessoa em foco era Adonhiram. Na Septuaginta, tradução mais antiga das escrituras hebraicas, os dois livros de Samuel são chamados o primeiro e o segundo livros dos Reis. Flávio Josefo e todos os escritores ocultistas dizem a mesma coisa e distinguem-no de Hiram de Tiro, o trabalhador em metais. De sorte que essas honras, segundo eles, devem ser conferidas a Adonhiram.
 
Dúvidas a parte, o certo é que no Século XVIII surgiram três escolas de ritualística voltadas para a Maçonaria, as quais ostentavam diferentes opiniões sobre o Construtor do templo. Veja essas opiniões a segtuir.
 
1. Na primeira escola, admitia-se que Hiram, filho de uma viúva da tribo de Naftali, quem o Rei de Tiro tinha enviado ao Rei Salomão, fora designado como Hiram Abiff, o Construtor do Templo. Esta foi a escola original e a mais popular entre aqueles estudiosos.
 
2. Na segunda escola, acredita-se que este Hiram veio de Tiro para ser o arquiteto e devido a sua excelência como artífice, Salomão lhe teria adicionado o título de Adon, Senhor ou Mestre, passando a ser chamado de Adonhiram. Esta teoria não se sustenta nas Escrituras nem na tradição maçônica.
 
3. Na terceira escola, Hiram, filho da viúva, foi tratado como um personagem subordinado e sem importância. Ali se entendeu que Adoram, ou Adoniram ou Adonhiram, o filho de Abda, o coletor de tributo e superintendente do empreendimento de corte de madeira no Monte Líbano, fora o personagem de destaque. Para aqueles, Adonhiram foi o verdadeiro arquiteto do templo, aquele a quem todos os lendários episódios do terceiro grau da Maçonaria deviam ser dedicados.
 
Esta última escola recusou-se a todos os compromissos com o princípio ortodoxo e assumiu uma teoria inteiramente independente, tornando-se, por um tempo, um proeminente indicador na Maçonaria. Seus discípulos conferiram aos adeptos de Hiram Abiff o nome de maçons Hiramitas, cuja qualificação lhes foi atribuída como uma denominação oposta aos Adonhiramitas, para indicar que os Hiramitas praticavam um rito peculiar, diferente do adotado na Maçonaria Adonhiramita.
 
Para intensificar a dúvida, em sua obra Orthodoxie Maçonnique, Ragon atribuiu a criação da Maçonaria Adonhiramita ao Barão de Tschoudy. Todavia, como ele se enganara ao atribuir a autoria da obra Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite a mesma pessoa, tudo indica que o mesmo pode ter errado tanto numa quanto noutra afirmação. Até porque, ainda não encontramos evidência, fora a afirmação do Ragon, que confirme ter Tschoudy alguma coisa a ver com a criação da Maçonaria Adonhiramita.
 
Entretanto, tudo faz crer que a criação da Maçonaria Adonhiramite é mesmo obra de Louis Guillemain de Saint Victor, o qual publicou em Paris uma obra intitulada Recueil Precieux de la Maçonnerie Adonhiramite, conforme ele próprio afirmou, à página 9 do Tomo I da obra supracitada: “En faisent imprimer mon Recueil Précieux de Maçonnerie Adonhiramite (C´était en 1781)”.
 
Inicialmente a Maçonaria Adonhiramita continha apenas quatro graus, sendo acrescentado mais oito por ocasião da sua segunda publicação. O décimo terceiro grau, o Noaquita ou Cavaleiro Prussiano, é fruto de mais um erro atribuído a Thory e Ragon. Eles teriam embarcado neste desacerto, porque Guillemain de Saint Victor inseriu no final de sua segunda publicação, como uma curiosidade maçônica, um trabalho que fora traduzido do alemão por M. de Bérage.
 
Dos doze graus iniciais, os dez primeiros são dedicados às atividades do primeiro Templo; o décimo primeiro está vinculado às questões relacionadas com a construção do segundo Templo; e o décimo segundo com o Magnifico Simbolismo Cristão da Maçonaria que é peculiar ao grau Rosa Cruz de quase todos os ritos.
 
Em 02 de junho de 1973, foi criado o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita e nele incluídos os 33 graus constantes nos supremos conselhos do Rito Escocês. De certa forma e com a adição de algumas particularidades especiais, os graus da Maçonaria Adonhiramita provêm do Rito de Heredom e do REAA, cujas introduções imprimem uma marca de aperfeiçoamento aos seus preceitos filosóficos.
 
Rio de janeiro, 13 de Janeiro de 2012
 
Florisvaldo Campos Xavier
Grande Patriarca Regente do ECMA.