Maçonaria e sua nova abordagem

Não é novidade para nenhum Irmão que a Maçonaria sempre se reinventou ao longo de sua história. Se olharmos do ponto de vista organizacional, a UGLE (Grande Loja da Inglaterra) e a GLDF (Grande Loja da França) foram as pioneiras na organização de nossa Sublime Ordem em grupos institucionais, logo mais (e também com esse propósito), surgiram as primeiras documentações e padronizações sobre sistemas ritualísticos, costumes, etc. Tudo foi modificando-se com o passar do tempo. Mas o que quero tratar aqui é da nova abordagem de “Maçonaria” instituída pelas grandes organizadoras dela. A imagem pública das Instituições Maçônicas e Para-Maçônicas em particular, para com a sociedade como um todo.

Nesse ponto, é necessário citar para aqueles que não são do meio, que a Maçonaria (quase) nunca foi uma ordem secreta, mas sim discreta, ou seja, que nunca escondeu sua existência ou quais seus verdadeiros objetivos, mas em contrapartida, também nunca realizou sessões ritualísticas em meio à uma praça pública (espero), isso se dá por toda uma herança cultural: No passado muitas atrocidades foram cometidas contra Maçons, como perseguições, torturas e mortes. Tudo por simples ignorância, por motivos políticos e ou por simplesmente “o serem”. Nem vou falar das mentiras sobre nossos verdadeiros objetivos e credos que são repetidas à exaustão até hoje, e levam a outro fator, de que até os próprios Maçons se resguardam, tendo em vista muitos ocuparem cargos públicos, no comércio, nas artes ou em outras posições sociais no qual poderiam ser prejudicados pela ignorância alheia.

Com o advento da nova era, a era da informação, que outrora pensávamos ser somente uma mudança nos meios de comunicação, novamente a Maçonaria está sendo reinventada, e não só pelas instituições que a doutrinam, padronizam e são utilizadas como exemplos do modelo de Maçonaria como conhecemos (Grandes Lojas e colegiados de Ritos), mas também na visão de cada um dos mais de 6 milhões de Maçons ao redor do mundo. Nunca nossa Sublime Ordem esteve tão aberta e tão próxima da sociedade quanto agora. Talvez me acusem agora os extremamente conservadores, mas vejam bem, é apenas uma constatação. Por exemplo, a Grande Loja da Inglaterra recebe só no Freemasons Hall cerca de 8 mil visitantes não Maçons por mês, além de promover diversas mostras de moda, teatro, música e outros eventos com toda a sociedade profana.

A própria imagem da Grande Loja da Inglaterra mudou. Para eles hoje, a Maçonaria está mais próxima de um clube social, uma reunião de amigos, do que como a imagem de Maçonaria que alguns teimam em fazer aqui no Brasil: Uma instituição secreta, conspiradora e assombrosa. Quem tiver dúvidas dessa nova visão da GLUI, tome por base este informativo oficial deles (download), qualquer coisa diferente disso, até pode existir, mas não pode ser tratado como Maçonaria propriamente dito.

 

Divulgação na página oficial da UGLE (GLUI) sobre ação beneficente.

Divulgação na página oficial da UGLE (GLUI) sobre ação beneficente.

 

Em uma análise sociológica sobre isso, podemos considerar os aspectos supracitados, dessa nova era da informação, como o fator principal da mudança da nossa histórica Ordem?

É difícil prever qual o pensamento da cúpula da GLUI e de outras grandes instituições também. Beiraria à ignorância afirmar isso sem qualquer base ou fundamento concreto (e o “mal saber” é algo combatido por nós, não?!), mas podemos afirmar com segurança de que é um fator de mudança da sociedade como um todo. Agora, se pensarmos do aspecto de manutenção da instituição, transparência parece uma estratégia inteligente a longo prazo, já que hoje, quase todas informações e materiais sobre qualquer coisa são encontrados na “rede” na “velocidade de um clique”, logo, dependendo do que se trata, é mais fácil manter as pessoas à par e informadas, do que acabar deixando na mão de terceiros a (má) interpretação do que for.

Na minha visão, cabe a nós, sim, a manutenção da hermeticidade de algumas coisas dentro dos nossos costumes, poderia citar como por exemplo, as formas de autenticação e reconhecimento, entre tantos outros. Mas devemos abrir nossas mentes para essa nova visão que nos chega agora. No que tange à imagem pública individual devemos refletir sobre até que ponto seria benéfico ou não a auto exposição, não falo em colocar um outdoor na frente de casa dizendo “eu sou”, mas também, não sair correndo quando algum profano perguntar sobre ou evitar ser fotografado “como”, que é o que mais vejo acontecer, por exemplo.

“.. No passado a instituição se manteve discreta pelos motivos que já falei aqui, de perseguições, aversão e até pela filosofia de praticar a filantropia sem aparecer nos holofotes (ao qual me considero muito conservador), porém hoje, acredito realmente que isso tenha mudado…”

Voltando aos costumes, conhecimentos e as questões misticas, não estou revelando nenhum segredo a qualquer  profano minimamente interessado de que quase tudo na nossa Sublime Ordem é transmitido através de simbologias, e o que pode ser interpretado “como X” para mim, pode “ser Y” para você, discordar disso já fere um dos princípios básicos que acreditamos. Logo, Maçonaria se faz dentro de cada um, o verdadeiro segredo é revelado dentro de nós mesmos e nossos corações, essa é a essência da hermeticidade que estudamos. Tanto, que a cada Maçom no mundo que você perguntar “Com suas palavras, o que é Maçonaria?” terá sua própria explicação, conceitos e até motivos para “o ser”.

 
Autor: Irm.·. Nataniel Kegles
Exclusivamente ao Diário Adonhiramita

 

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