As velas

Desde os tempos mais primórdios o fogo tem sido fonte de luz, calor e símbolo de conforto para o homem, o que sempre representou o poder do bem.

A Mitologia Grega nos conta, que Prometheu, que foi um titã, defensor da humanidade, roubou o “fogo”sagrado dos deuses para animar sua criação que havia moldado em argila, ou seja, os mortais. Crendo nessa mitologia ou não, podemos interpretar como o despertar da consciência do homem que, a partir desse momento, tornou-se suficiente para poder raciocinar e filosofar sobre sua existência.

O fogo sempre esteve presente em todas as antigas civilizações e venerado como uma manifestação divina. No episódio de Moisés, por exemplo, L.∙. da L.∙. em Exôdo nos conta que Moisés recebeu a missão de libertar os Hebreus do Egito através de um arbusto ardente.

O homem, ao longo do tempo, aprendeu a cozinhar os animais que caçava e sentiu que se tornavam mais saborosos dessa forma. Depois percebeu que as gorduras que derretiam dessa cosedura eram inflamáveis e emitiam assim uma luz melhor e, ainda, que uma fibra embebida nessa gordura, retardava sua combustão e lhe dava uma iluminação mais intensa e duradoura do que o fogo da queima da lenha. Assim, provavelmente, então, nasceu a vela.

Com o passar do tempo, e o advento do cristianismo, os sacrifícios de animais e produtos da colheita foram proibidos, dados ao prejuízo que os causara e substituídos pela missa com o fogo das velas, e ao falarmos novamente em vela, o nosso consciente mentaliza a sua principal função: a chama, a luminosidade que dela se origina, mas afinal, o que é a luz, numa linguagem esotérica, mística ou cabalística?

A luz é vista geralmente como uma metáfora para a Sab.∙., e a Ch.∙. é uma mensagem de luz – símbolo universal de claridade, visão, conhecimento e verdade. A vela produz luz, e consumindo a este, nesse universo de simbolismos, está o maçom. A vela representa o princípio vital; pois o calor e a luz são elementos indispensáveis a vida.

No Rito Adonhiramita, a jornada que emana a energia do fogo em Loj.∙. ,inicia-se antes mesmo dos trabalhos como o tal. Através do Revigoramento da Ch.∙. Sag.∙., os IIrm.∙. Cob.∙. Int.∙., M.∙. Cer.∙. e Ora.∙. é que reacendem a flamigera representação do sol, maior símbolo visível no mundo físico da divindade, que nos emite continuamente sua energia como calor e luz; Sem as quais, não haveria vida neste planeta.

O ritual de acender as velas, ou seja, dar a “luz” ao Temp.∙. ,é de enorme complexidade espiritual, esotérica e metafísica conforme o ponto de vista pessoal de cada um dos OObr.∙. que ali se encontram, como também, do coletivo do grupo. Esse ritual tem inúmeras variantes, conforme o rito e opções filosóficas adotadas, separando-se as técnicas, credos e rituais (com todo respeito a cada orientação conceitual), o fogo funciona como um código mental, algo que vos dá poder, como uma alavanca psíquica que desperta os poderes extrassensoriais em estado latente.

Na Maçônaria, o Cerimonial do Fogo, tem o propósito de levar simbolicamente as energias para as regiões do orbe terrestre, que são representadas pelas Luzes da Loj.∙.. A ordem de acendimento das velas, imita aos degraus da escada de jacó, que simbolicamente trás a luz vinda do sol, onde se encontra o Ven.∙. M.∙. ,até o ocidente, passando pelo Irm.∙. 1º Vig.∙. e chegando por fim, ao Irm.∙. 2º Vig.∙. ,que é quem se encontra mais próximo deste. Neste trajeto, as velas são sempre acendidas com o “acendedor próprio”, conforme o rito, usando o fogo de uma fonte, cuja luz é alimentada
pela Ch.∙. Sagr.∙..

Isso fica muito evidente no Rito Adonhiramita no ato do interrogatório do Irm.∙. Cobr.∙. Int.∙. ,que diz: “Assim como por vontade do Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. O Sol aparece no Or.∙. para principiar sua carreira e romper o dia, o V.∙. M.∙. ali tem assento para abrir a Loj.∙., ajudar os Oobr.∙. com seus conselhos e iluminá-los com as suas Luzes”.

Acesas dentro do Templo, as velas homenageiam o Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. ,por isso também, não é permitido o sopro para apagar a vela, porque o Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. , quando moldou o homem, deu-lhe a vida por meio do sopro. O sopro é a vida e não a destruição. Não se pode apagar a vida da vela, senão tirando-lhe o oxigênio que a alimenta, utilizando-se para isso o “apagador”, instrumento próprio para tal, constituído de um cabo e uma área oca que é colocado sobre a chama.

A bem da verdade, os verbos “acender” e “apagar” não seriam os mais adequados nas cerimônias em que as velas estão presentes. Deveríamos usar “revigoramento” e “adormecimento” da Ch.∙. Sagr.∙., porque o fogo simboliza o Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. ,que a CABALA denomina Ein Sof (que não teve começo nem terá fim) – a Eternidade – ou então o Or Em Sof (Luz Eterna).

Mas qual a finalidade de acendermos velas em pleno Temp.∙. ,já que atualmente dispomos de farta luz elétrica? Porque não substituímos as velas por lâmpadas elétricas como em muitos TTemp.∙.? É aqui que
entra a explicação espiritualística, pois trata-se da relação entre o CORPO, A ALMA e o ESPÍRITO.

No versículo 3º do capítulo I, do Livro Gênesis, fala sobre a determinação do Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙.: “Haja luz; e houve luz”, em seguida, no quarto versículo, lê-se: “E viu Deus que a luz era boa e fez a separação entre a Luz e as Trevas”. Pitágoras foi outro que também admitiu a existência de dois princípios antagônicos: um, representado pela linha reta, pela estabilidade e pela igualdade, ao qual denominou de “Princípio da Luz” enquanto que o outro, representado pela linha curva, pela instabilidade e pela desigualdade foi chamado por ele de “Princípio da Escuridão”.

LOGO, O FOGO É A REPRESENTAÇÃO DA DIVINDADE.

A alma no corpo é semelhante a chama no pavio;
A cera (ou óleo, no caso do acendedor) é semelhante ao corpo (matéria);
A chama consome a cera, sem se desgastar, e o corpo é consumido pela vida, não a Alma.

A vela (o corpo, a cera) tem forma tangível, porém, a chama não tem um formato ao certo. O corpo tem forma definida, que o Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. o fez à sua semelhança, passo que a Alma é disforme. A chama é dirigida e movida pelo vento. Vento em hebraico é a mesma palavra que Espírito “RUACH”, que dirige e move a Alma. O tamanho da chama, também não é determinado pelo tamanho da vela, ao mesmo tempo que o “tamanho” da Alma não é determinado pelo tamanho do corpo. Uma pessoa com um corpo pequeno não necessariamente possui uma Alma “pequena”.

Embora a vela tenha muitas características ou aplicações possíveis, tais como, selar uma carta, utilizar sua cera para lubrificar, tem seu propósito básico de iluminar. O mesmo se aplica ao corpo, embora tenha muitas funções, sua tarefa essencial, é abrigar a Alma para trazer luz ao mundo. (Segundo a CABALA, foi por isso que DEUS fez o homem, para ser o seu sócio. Onde houvesse trevas, caos, ignorância, o homem deveria levar a luz, a espiritualidade, a compreensão, o amor, é esta a missão do maçom).

“Não importa a cor e o formato da vela, a cor da chama é a mesma, assim como, não importa o tamanho e cor do corpo do homem, a alma não depende disso.”
A porção mais quente da chama é a parte superior, a alma é o aspecto superior do homem, que dá vida ao corpo.

Pode-se acender milhares de velas a partir de uma única vela, sem que ela perca nenhuma parte de sua luz original. Na verdade, cercada por outras velas acesas, ela gera ainda mais luz. A alma também pode acender outras Almas, tornando-se conscientes do objetivo da vida, e então se torna ainda mais iluminada, porque foi fundamental na missão de espalhar a LUZ.

É mais fácil reacender um pavio, do que acendê-lo na primeira vez. Uma Alma que já soube, mas se desviou, aquela que esqueceu é mais fácil reacender, de relembrar, de voltar, do que aquela que jamais soube.

Depois que a chama consumiu toda vela, ela deve desaparecer. Assim é com a Alma. Depois que os seus desejos estiverem no corpo durante o seu tempo de vida, o corpo é consumido, e então a Alma também deve partir.

A chama sempre se eleva, indo em direção ao céu. A alma, por padrão, também se esforça para constantemente se elevar, para lembrar sua verdadeira identidade.

Todos os problemas do mundo se originam quando a Luz é retirada. Nosso trabalho é corrigir isso. Onde quer que encontremos Luz, devemos rasgar seus invólucros, para expô-la a todos, deixando-a brilhar até os recessos mais escuros da Terra, especialmente a luz que você mesmo encerra. A luz foi ocultada porém sua Fonte não. A fonte de Luz está em toda parte.

Quando você chega a um lugar, que parece fora do âmbito divino, grosseiro demais para a luz entrar e você deseja fugir dali, saiba que não há lugar desconhecido ou inabitável para o Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙. ,entre, permaneça, e rejubile-se da sua tarefa de revelá-lo ali naquele local. Lembre-se então que seu lugar verdadeiro é um lugar de luz, mesmo que você encontre em meio as trevas e sofrimento, deve lembrar que este não é o seu lar, o seu ser essencial está num vínculo indestrutível com a fonte de luz do Gr.∙. Ar.∙. Do Univ.∙..

Sobre a verdadeira luz e a vida, lutamos constantemente para nos libertar desse “pavio”, a “membrana” que nos ancora à realidade física e nos macula com necessidades e desejos físicos (analogia ao desbaste da Pedra Bruta).

Para tal, tentamos nos elevar, ansiando transcender o físico, o humano e nos fundirmos com o universal e com o divino, como os passos que damos do Oci.∙. ao Ori.∙. ,ao mesmo tempo, apegamo-nos ao corpo, ao pedaço de matéria, aos objetos, ao carro, à casa, ao relógio e tudo que nos representa como produtivos e participantes dinâmicos neste mundo.

Este perpétuo sobe e desce ,esse incessante “apego e desapego” entre o ser e não ser, o ter e o não ter, é que chamamos de vida, ou de história, que transcorre ao longo da linha do tempo que nossa alma habita neste corpo, e esta eterna tensão entre o nosso desejo de escapar do físico e o nosso compromisso de habitá-lo, refiná-lo e santificá-lo, que faz de nós seres espirituais.

Por representar OR EM SOF (LUZ ETERNA), ao terminar a Sessão, a Ch.∙. Sagr.∙. e espiritual, continua acesa no coração dos Irmãos que assistiram aos Trab.∙. ,como se roga no ato do adormecimento da chama: “Que a luz da sua Beleza continue flamejante em nossos corações”.

Bibliografia

– ADONHIRAM FORUM (http://adonhiram.forumeiros.com/t6-o-simbolismo-das-velas-utilizadas-no-rito-adonhiramita – acesso em 02/10/2015)
– SIMBOLISMOS DO RITO ADONHIRAMITA – Ir Marcos José Santos da Silva (http://pt.scribd.com/doc/38776149/Rito-∴ a-e-Seu-Simbolismo –
acesso em 28/09/2015)
– SITE SOLAR 8 “TERAPIASTRAL” (http://solar8.blogspot.com.br/2011/03/cada-vela-com-seu-pavio.html – acesso em 26/10/2015)

Trabalho do Amad.·. Irm.·. Nataniel Kegles.